2a. parte
Com uma foto às 6h10, instantes antes de nossa partida, registramos o
início de mais este desafio. Depois de trotarmos dez minutos demos uma
parada e nos alongamos despreocupadamente. Sabíamos que este tempo gasto
seria de muita valia durante toda a corrida. Em seguida voltamos a correr,
preocupando-nos em ingerir água ou isotônico a cada dez minutos, religiosamente
lembrado por nossos cronômetros. Sem falar nos complementos de guaraná em
pó, ginseng, BCAA, ginko biloba e lecitina de soja, tomados regularmente
segundo a tabela dada por nossa nutricionista Christiane Rodrigues.
Nossa primeira parada foi perto das 11h, ao chegarmos em Dois Rios, após passarmos quase que tranquilamente pelo trecho que tanto nos preocupava. Realmente, as dicas dadas na véspera por um veterano caminhante local, foram valiosas. Comemos então nosso primeiro sanduíche de queijo e fizemos alguns exercícios de alongamento.
Às 12h41, ao chegarmos em Parnaioca, presenciamos uma cobra almoçando um
sapo. Este foi um bom motivo para descansarmos uns três minutos, observando
e fotografando. Continuando em seguida, os cenários revezavam-se entre
montanhas e praias, praias e montanhas, indefinidamente. Em uma dessas
trilhas cruzamos por dois caminhantes que nos alertaram da presença de
fiscais do Ibama no início da Reserva Biológica, fazendo restrições à
passagem. Um desses dois caminhantes, aliás, era o ultra-trekkista Fabio Galvão.
Na dúvida sobre a possibilidade de cruzarmos esta área, mesmo sem estarmos levando barraca e equipamentos para acampar, torcemos para eles subirem no helicóptero e irem almoçar, deixando-nos algum tempo para corrermos pela Reserva. E não é que a força do nosso pensamento deu certo? quando estávamos exatamente no ponto em que seríamos visto se passássemos ou perderíamos tempo se parássemos, eles levantaram vôo. Este foi mais um motivo para acelerarmos nossa velocidade e cruzarmos toda a Reserva Biológica o mais rápido possível.
Perto das 14h chegamos ao mangue que separa a Praia do Leste e a Praia do Sul, ainda dentro da Reserva. Este foi um momento tenso, pois a água estava completamente turva e não tínhamos qualquer possibilidade de cruza-lo calçados com os tênis ou correríamos o risco de ficar com bolhas nos pés quando voltássemos a correr com tênis molhados durante várias horas. Em compensação o risco de furarmos um pé poderia por o projeto a perder. Mas nada de errado aconteceu e cerca de vinte minutos depois já estávamos correndo sobre uma areia mais macia do que devia.
Chegando ao final da Praia do Sul, outro limite da Reserva Biológica, encontramos mais fiscais do Ibama que desfizeram nossa errônea ideia de que seríamos barrados mesmo não acampando.