3a. parte
Depois dos primeiros
minutos em que tudo são flores (e fotos...), a altitude começou a fazer efeito. Não
estamos falando de uma caminhada pela cota 2000, onde qualquer pessoa com um mínimo de
preparo físico não percebe o decréscimo de oxigênio no ar. Isto começa a acontecer em
torno de 4000m. Mas aqui o assunto era mais sério: correr nesta altitude nem de longe
lembrava uma caminhada. A necessidade de oxigênio fez-se presente não na forma de falta
de ar, mas no cansaço e dores na musculatura impulsora da perna.
Durante algum tempo foi possível conviver com isto. Porém, quando já havia vencido um bom pedaço mas o que faltava parecia maior ainda, foi humanamente impossível fingir que nada estava acontecendo. A partir deste ponto os trechos de corrida eram intercalados com caminhadas e os pontos de parada para descanso começaram a ficar menos distantes. O que nos ajudava era a temperatura extremamente agradável à sombra.
Para piorar o fator
psicológico, Cathy levou um altímetro de pulso. A cada 100 metros que vencíamos
verticalmente ela comemorava, sem olhar o outro lado da moeda: ainda faltavam muitos
outros cem metros a vencer. Quando estávamos a menos de 700m verticais da chegava (o que
significavam vários quilômetros a correr!) a trilha deu uma guinada para baixo e não
parou mais de descer. Cada metro descido era chorado mais do que quando foi subido, pois
significava o dobro de sofrimento. Quando já não entendíamos mais porque
descíamos tanto, apareceu a explicação.
O ponto final de nossa travessia não era na
face que estávamos subindo, mas na face oposta. A trilha subia a primeira face apenas
para contorna-la e em seguida desce-la para pegar uma ponte, suspensa no nada, que levava
à outra face. Agora sim, deveríamos subir tudo novamente. Tem que haver muita força
psicológica para aturar!...