2a. parte
A temperatura durante o dia oscilava perto dos 14 ºC apesar do céu sem uma nuvem, caindo para 4 ºC à noite. E foi neste ambiente frio e horrivelmente seco que fiz o treinamento de 5.feira, quase às 22h. No dia seguinte corri em condições mais agradáveis, às 9h de uma linda manhã. Estes treinos faziam parte da estratégia de preparação física, finalizando minha tentativa de aclimatação à altitude.
Finalmente, após um
reforçado desjejum e os últimos acertos nos equipamentos, iniciamos, Cathy Tibbetts e
eu, a travessia. O início aconteceu às 8h de sábado (9/10) em South Rim, a uma altitude
de 2212m. A trilha Kaibab é bem demarcada pois, além de ser usada por caminhantes,
existe um razoável trânsito de mulas que transportam os mais preguiçosos e fazem
salvamentos de caminhantes não preparados.
A descida foi muito agradável porque a inclinação da trilha não chegava a comprometer demasiadamente o joelho. Paramos inúmeras vezes para documentar fotograficamente toda aquela beleza exposta em ângulos diferentes do visto pelo observador tradicional, que vê o canyon do alto.
O fim da descida, após
10,1km e cerca de 2:15h, ocorreu no encontro do rio Colorado, a 731m de altitude. Neste
ponto havíamos descido 1481m verticalmente. Após cruzarmos a Kaibab Suspension Bridge
corremos cerca de 2km quase horizontalmente até começarmos a subir uma tenebrosa e
inesquecível subida de 21,5km, com uma variação de altitude de 1784m.
Com o peso dos
equipamentos a subida tornou-se muito mais cansativa. Mas como fazer para não levar
água, lanterna, alimentos energéticos e casaco? Simplesmente o risco seria incalculável
em uma situação inesperada, tal como anoitecer antes de chegarmos ao fim ou o frio
tornar-se um impeditivo em um local em que não havia condições de arrependimento. Por
isto resignamo-nos a correr com alguns quilos às costas, coisa aliás que estávamos
acostumados após os sete dias no Sahara, totalmente auto-suficientes.