4a. parte
O relógio marcava 10h21 quando exterminamos nosso segundo sanduíche de queijo e
um punhado de castanhas de caju, enquanto batíamos papo com dois
Guardas Florestais Municipais. É claro que mais alguns chocolates Bis mudaram de
lugar - das mochilas para nossos estômagos -, alterando nossos centros de gravidade.
Desta vez a parada durou mais de vinte minutos onde, além de comer, descansamos um pouco e nos reabastecemos no segundo e último ponto de água dentro de nosso planejamento.
O início do trecho referente ao Terceiro Dia da Trilha Externa Major Archer passa pelo final do trecho do Segundo Dia até a bifurcação Pico da Tijuca x Bico do Papagaio.
Em poucos minutos de corrida aparece o desvio para uma rápida subida ao Morro do Archer (alt. 817m), voltando em seguida para a trilha principal que nos levaria, através da Gruta do Navio e da Gruta do Papagaio, para a bifurcação (alt. 860m) que aponta para as duas mais desgastantes subidas de toda a Trilha Externa: o Bico do Papagaio (alt. 989m) e o Morro da Cocanha (alt. 975m). O interessante para nossa corrida é que este trecho, do Bom Retiro até a bifurcação, é bastante horizontal (guardadas as devidas proporções, é claro!), o que nos deu condições de correr contra o relógio compensando a baixa velocidade em algumas subidas mais íngremes.
Quem conhece a subida do Bico do Papagaio sabe que é tecnicamente quase impossível fazer-se uma subida correndo, dada a quantidade de “escalaminhadas” até o cume. A chegada foi acompanhada de algumas fotografias de uma esplendorosa vista e vários goles d’água, tudo isto como justificativa para um pequeno descanso.
A descida, cansativa para quem já estava em atividade de alta intensidade há algumas horas, terminava exatamente na base do Morro da Cocanha, e é definida como “íngreme e escorregadia”, termo usado no perfil esquemático oficial da Trilha Externa Major Archer feito pelo topógrafo do IPP, Denis Leite Gahyva, com certeza uma das pessoas que mais conhecem esta região!
A chegada ao cume ofereceu-nos na outra face um “trecho muito íngreme e escorregadio”, novamente conforme o mesmo perfil esquemático, que descia violentamente até a cota de 731m, no Platô do Céu. Isto forçou bastante nossos já doloridos joelhos, durante toda a descida.
Mal descansamos alguns minutos correndo horizontalmente e já estávamos subindo um novo trecho íngreme que nos levava à bifurcação (alt. 800m) entre o Castelo da Taquara (alt. 736m), que nos obrigou a descer e retornar, e o Morro da Taquara (alt. 811m), um pouco mais perto da bifurcação. Neste ponto, em que o relógio marcava 13h02, fizemos uma pequena parada, o suficiente para comer nosso famoso e já consagrado pelo uso, “macarrão ao alho e óleo”!
A descida pelo Caminho do Sertão deu-nos novamente um bom trecho de corrida contínua e veloz para que “tirássemos o atraso” dos trechos mais difíceis que havíamos cruzado, chegando finalmente, após passarmos pela Ponta da Cova da Onça (alt.482m), ao final do trecho referente ao Terceiro Dia da Trilha externa.