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desafio no Deserto do Sahara

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2a. parte

Um dromedário pastando ao lado de uma baliza sinalizadora   (clique na foto para ve-la ampliada)

Ao chegar a Ouarzazate, ponto de encontro oficial dos competidores e da equipe organizadora da prova, vinte e quatro horas e quatro conexões depois, incluindo greve de pilotos em Madrid, é claro que minha mochila não chegou junto comigo no mesmo avião. Afinal, era querer demais...

Por sorte, eu havia chegado trinta e seis horas antes, simplesmente porque os vôos estavam lotados de corredores mais precavidos, que haviam comprado suas passagens meses antes. Assim, este tempo que eu imaginei usar descansando e passeando pela cidade, foi gasto em compras dos equipamentos extraviados que deviam estar passeando em algum vôo por esse "mundão de Deus"...

Com a reclamação feita ao meu seguro-viagem às 2h da manhã, fui dormir com medo de imaginar como seria o dia seguinte. Às 8h, antes que eu pudesse ter descansado das vinte e quatro horas de vôo e do estresse da perda da mochila, fui acordado por um representante local da seguradora, que me trouxe cem dólares em moeda local para minhas despesas imediatas, enquanto providenciavam a busca da mochila pródiga. Nada mal. O prejuízo seria menor.

Então vamos às compras!

Dá pra alguém imaginar como é um óculos comprado no meio do Deserto do Sahara, na tentativa de substituir aquele que havia sido perdido, que possuía proteções laterais e bloqueadores de raios ultravioleta A e B categoria IV? E o boné com proteção solar na parte traseira, como aqueles usados pela Legião Estrangeira, feito sob encomenda? Sobre o short de coolmax, material de alta tecnologia na absorção do suor, e o combustível sólido para o fogareiro, eu nem vou comentar... Depois deste dia estressante fui dormir sem ter dado um mergulho sequer na piscina cinco estrelas do Meridièn (chique, hein?). Deixe pra lá, são ossos do ofício.

O que este jatobá está fazendo aqui ?...   (clique na foto para ve-la ampliada) De manhã cheguei ao aeroporto, ponto de encontro, quinze minutos antes do horário combinado. Algo muito forte me dizia, desde a noite anterior, que eu deveria procurar a mochila novamente no balcão de achados e perdidos. Como, freqüentemente, eu sigo minha intuição e não me arrependo, é claro que fui lá!

Quando o funcionário do aeroporto, após "intermináveis" quatro minutos de uma longa espera, me falou displicentemente que a mochila estava lá, eu não quis acreditar. Achei que estava havendo alguma interferência no diálogo anglo-árabe-francês. Fui obrigado a crer quando ele me levou à sala de amontoados e entulhos achados e perdidos, e me mostrou a data na etiqueta de controle que estava pendurada na mochila: dois de abril. Era hoje! Ela havia acabado de chegar! Se o encontro dos competidores ocorresse minutos antes, talvez eu só a reveria na volta da Marathon des Sables, quando sua utilidade seria infinitamente menor. A sorte continuava me acompanhando como sempre...


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