desafio

desafio

desafio

Deserto de Mojave

Deserto de Mojave

Deserto de Mojave

twitter.com/carlossposito

carlos@sposito.com.br

(21) 9850-7351

CSS válido !

Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas

4a. parte

Com a mochila recheada com quatro litros de água e isotônico, algumas barras energéticas, saches de carboidrato em gel, batatas fritas, castanhas, casaco, lanterna, pilhas, bússola, mapa, meias sobressalentes e filtro solar, com o peso total em torno de seis quilos, comecei minha corrida no Joshua Tree National Park pela Entrada Oeste, pontualmente às 8h de uma linda manhã.

Espinhos, espinhos e espinhos Nos primeiros minutos de corrida, a ansiedade da novidade já estava controlada. Com a bússola e o mapa guardados, me lembrava da garantia que os guarda-parques nos deram sobre a ótima marcação da trilha. Depois da primeira hora de corrida cheguei a uma encruzilhada que não possuía marcação visível. Fui obrigado então a fazer o que é mais desagradável para um corredor de trilhas: parar e se orientar. Nesta hora se perde todo o ritmo que, a duras penas, se consegue correndo sobre areia fofa, com uma mochila pesada nas costas, concentrado no que se está fazendo, tentando se desviar das moitas de espinhos e dos locais em que a pisada irá afundar mais do que o normal.

A visão do ambiente quando se está correndo é completamente diferente de quando andamos. Por mais rápido que possamos estar em uma caminhada, sempre é tranquilo abrir um mapa e conferir sua posição, às vezes até sem precisar parar. Quando corremos em trilhas, sejam elas na Mata Atlântica ou em um deserto, necessitamos estar constantemente olhando para onde pisamos e o que está à frente do rosto para evitar acidentes. Os obstáculos surgem muito rapidamente quando corremos em um ambiente outdoor e, se desejamos olhar um mapa e uma bússola, devemos obrigatoriamente parar. E isto eu só faço em último caso quando estou correndo.

Às vezes, tardiamente, somente após o último caso...

Continuei correndo por algum tempo, seguindo a trilha bem demarcada, e bebendo, ora isotônico ora água, a cada oito minutos, avisado pelo meu fiel despertador automático que sempre uso nestas ocasiões. No meu outro punho eu carregava um frequencímetro cardíaco que, constantemente, eu monitorava para conferir se continuava abaixo do limite que eu havia definido para esta corrida, cento e cinquenta batimentos por minuto, valor este que, na minha condição de bradicárdico (meu coração bate lentamente em função de muitos anos de atividade aeróbica), representavam uma velocidade suficiente para não me esgotar durante as várias horas de atividade física que havia pela frente.

Mais uma vez me deparei com um trecho dúbio e fui obrigado a parar e me orientar. Como eu já estava correndo há quase duas horas e a mochila não diminuía de peso aparente, apesar de estar me hidratando regularmente, aproveitei para me alongar e comer algumas batatas fritas, já que as barras e o gel de carboidrato já estavam começando a me enjoar, aliás, o que sempre me acontece depois da quarta barra, durante uma atividade extenuante como esta.

Após a terceira hora de corrida, comecei a notar que a vegetação estava se alterando. Eu não encontrava mais nenhuma joshua tree, mas sim uma prima distante dela e uns horrorosos espinhos em forma de bola que, ao grudarem na perna, me lembrava as histórias que eu ouvia quando era criança, a respeito da mordida da perereca, que só soltava durante uma noite de forte tempestade. Esta bola de espinhos só era possível de ser arrancada dos pelos da perna com auxílio de um graveto estrategicamente posicionado entre a bola de espinhos e a perna, funcionando como uma alavanca. E, várias vezes, a bola apenas pulava e mudava de lugar na perna. Esta operação era pior do que parar para me orientar...


home equipamentos livros desafios artigos biografia reportagens palestras assessoria esportiva softwares notícias contato