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publicado em 25/09/01 na minha coluna no site de aventuras Webventure
"Acorda! O piloto acabou de avisar que os EUA sofreram um ataque aéreo e o Presidente ordenou a todos os aviões que estejam em vôo para que desçam imediatamente!". Assim eu fui acordado por Odette, minha dublê de namorada e equipe de apoio, no que seria o último trecho do nosso vôo Rio-Los Angeles pela Continental Airlines, com o objetivo de correr em mais um deserto. Desta vez, o escolhido havia sido o Deserto de Mojave, na Califórnia, e eu estaria novamente na condição de primeiro brasileiro a correr neste deserto, assim como foi no Deserto do Sahara e no Grand Canyon.
"Que isso! Você entendeu mal! Se nosso amigo Gérard Moss, ao entrar de mau jeito no espaço aéreo do Vietnã com um pequeno motoplanador foi imediatamente cercado por aviões da Força Aérea, imagine se é possível alguém fazer um ataque aéreo aqui nos EUA! Volte a dormir porque ainda temos duas horas de vôo". Esta foi minha resposta lógica a uma afirmativa tão descabida...
Minutos depois, recebemos ordens para apertar os cintos e colocar a poltrona em posição vertical, pois iríamos fazer um pouso de emergência em El Passo, na fronteira com o México.
Ainda sem acreditar nesta estapafúrdia história, pousamos e recebemos instruções para permanecer no interior da aeronave. Uma senhora americana à nossa frente sacou de seu celular e ligou para a mãe, que morava em Manhattan. Com sua poltrona totalmente cercada por curiosos, ela passou a relatar as últimas notícias: "Dois aviões se chocaram com as torres gêmeas, uma delas desabou! Além disso, algo aconteceu no Pentágono!". Estupefatos, recebemos ordens para sair do avião com as bagagens de mão e correr para o andar de baixo do aeroporto, pois esperavam até um ataque aéreo em El Passo!
Duas horas depois estávamos com as imagens do desabamento fixadas em nossas mentes, após terem sido vistas dezenas de vezes nas televisões do restaurante do aeroporto. Reunimo-nos com alguns brasileiros que se encontravam na mesma situação e fomos todos para o último hotel da cidade onde ainda restavam vagas. No meio da tarde, alguém chegou com a notícia de que as estradas não estavam bloqueadas como noticiavam alarmisticamente nos telejornais e havia um ônibus "pirata" saindo para Los Angeles no início da noite. Após algumas análises probabilísticas sobre a data provável da próxima decolagem, não nos esquecendo que nosso vôo era Houston-Los Angeles e não El Passo-Los Angeles, trecho que não existia nesta companhia aérea, decidimos, por unanimidade, completar nosso percurso de ônibus, mesmo.
Em "apenas" quinze horas de viagem aportamos em um subúrbio de Los Angeles que, até agora, não imagino onde fica. A partir dali, com "míseros" quarenta e cinco dólares de táxi, finalmente estávamos em frente ao carro que havíamos alugado para ir ao deserto.