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artigo escrito para o livro
"Como ter Sucesso nas
Aventuras nos Negócios"
de Vera & Yuri Sanada - Editora Aventura COM BRasil
Não tenho dúvida alguma que, se fizermos uma pesquisa entre atletas, aventureiros, artistas e promotores culturais, tentando descobrir o que mais os atrapalha e toma seu tempo na efetiva realização de suas atividades, chegaremos sempre à mesma resposta: bater de porta em porta em busca de patrocínio.
A valorização de uma marca, relacionada a um empreendimento esportivo ou cultural, recebe uma mais-valia em proporções imensamente maiores quando a comparamos aos resultados de uma propaganda tradicional divulgada em um veículo qualquer de comunicação e que tenha custado o mesmo valor absoluto despendido no patrocínio. Quando um produto ou marca associa sua imagem a uma atividade cultural ou esportiva, ele incorpora seu jeito de ser e seu estado de espírito, seja ele ousadia, segurança, vanguarda, equilíbrio, força ou qualquer outro atributo relacionado ao objeto escolhido para ser patrocinado. Muitas empresas, porém, ainda não conseguiram enxergar estas evidências e sempre optam, conservadoramente, apenas pelo maneira tradicional de anunciar, ao invés de aglutinar estas duas maneiras de se expor ao público, não percebendo que, neste caso, o todo pode ser maior que a soma das partes.
Na minha posição de aventureiro, após muitos anos longe deste desgaste provocado pela busca de patrocínio, sempre conseguindo auto-financiar meus projetos, fui obrigado a rever minhas necessidades financeiras quando me decidi por uma aventura-desafio um tanto ou quanto mais cara que as anteriores. Com o objetivo de ser o primeiro brasileiro a correr a Marathon des Sables, uma corrida a pé de auto-suficiência através de duzentos e vinte quilômetros no Deserto do Sahara, levei semanas estudando e planejando uma lista de empresas potenciais que receberiam minha visita.
Talvez por uma sorte de principiante, este processo foi um ponto isolado, totalmente fora da curva. Meu primeiro pedido de patrocínio foi na própria empresa em que eu trabalhava, a ANDIMA – Associação Nacional das Empresas de Mercado Aberto. Apesar dela nunca ter investido neste tipo de retorno institucional de sua imagem, meu projeto foi cem por cento aceito na reunião de Diretoria, estando eu, de um momento para o outro, com um patrocinador exclusivo, com todas as despesas que envolveram o projeto, pagas.
Esta situação, conforme constatei mais tarde em outros projetos, não é a realidade que tanto gostaríamos que fosse. O fato mais normal no dia-a-dia da busca pelo patrocínio são dezenas e dezenas de contatos telefônicos, visitas, apresentações do projeto, e... nãos!
No meu projeto seguinte, em que fui o primeiro brasileiro a cruzar correndo o Grand Canyon, pude constatar a dura verdade dos fatos. Desta vez tomei contato com uma variante do patrocínio, o apoio. Com a finalidade de divulgar diretamente seus produtos e sua logomarca, muitas empresas negam-se a desembolsar dinheiro vivo, oferecendo apenas seus produtos em troca do potencial retorno de mídia que o projeto possa render. Mas nem sempre estes produtos auxiliam diretamente o projeto...
Quando Giovanni Mello e eu montamos uma equipe para competir na Expedição Mata Atlântica (EMA), a maior do Brasil e uma das cinco maiores corridas de aventura do mundo, novamente demos um tiro certeiro. Como um dos primeiros contatos, recebemos o aval financeiro da diretoria e inscrevemos na EMA a equipe Wöllner Outdoor, nome da empresa do ramo de roupas e equipamentos outdoor, que associa sua marca ao “estilo aventura de ser”. Graças à feliz coincidência da empresa estar abrindo uma filial em São Paulo, onde aconteceria a corrida de aventura, exatamente no mesmo mês do evento, foi razoavelmente fácil negociarmos este patrocínio, visto que a empresa possui um ótimo “faro” para perceber oportunidades que somem visibilidade à sua marca. Mesmo assim, às vésperas da corrida, apareceram alguns gastos inesperados que não foram cobertos pela empresa, recaindo estes custos nos bolsos dos competidores.
Com as experiências que já vivi diretamente, além das que ouço dos amigos também ligados à aventura, mais os livros e artigos que leio, cada vez mais concluo que o dinheiro gasto diretamente com um patrocínio, sendo bem administrado em termos de assessoramento de imprensa e marketing, possui todas as chances possíveis de proporcionar um retorno financeiro em termos de visibilidade (centimetragem de jornal ,revista e internet, tempo de televisão) muitas vezes maior do que o valor gasto. Além, é claro, do mais importante, que é a mencionada relação direta dos atributos do patrocinado com a imagem da empresa, de uma maneira subliminar, muito mais eficiente e duradoura que a tentativa de uma propaganda de revista ou televisão ao tentar impor estas mesmas qualidades à empresa.