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A Mulher na Corrida de Aventura

A Mulher na Corrida de Aventura

A Mulher na Corrida de Aventura

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publicado em 19/10/00 na minha coluna no site de aventuras 360 Graus

A primeira vez que assisti na televisão (ou li, não me lembro...) uma corrida de aventura, o que mais me chamou a atenção foi a presença feminina em todas as equipes. Inicialmente imaginei tratar-se pura e simplesmente de uma grande coincidência, pois nada é mais natural do que homens e mulheres treinarem atividades outdoor juntos, como mountain bike, escalada, rafting, canyonning, mergulho, parapente, vôo livre, etc, e, conseqüentemente, competirem em igualdade de condições, sem privilégios.

Ao observar a corrida de aventura seguinte notei que a coincidência continuava ocorrendo: todas as equipes possuiam um membro feminino. Curioso que estava, senti a necessidade de aprofundar-me mais nesta questão. Após uma pesquisa constatei que as regras das mais importantes corridas de aventura incluem uma cláusula que obriga a presença de, pelo menos, um membro do sexo oposto ao do restante da equipe. Ou seja, se o grupo for composto de homens (caso da maioria, atualmente), necessitará da presença de uma mulher. E uma equipe composta de mulheres (situação esporádica, por enquanto) deverá possuir um homem completando a equipe.

É claro que esta regra tão específica teria um objetivo direto. Mas qual seria ele? Pesquisas infundadas não me levaram a resposta alguma. E qual a opinião das pessoas? Uma miríade de respostas mantiveram as interrogações na minha cabeça. Mas isto seria respondido mais cedo ou mais tarde, eu tinha certeza.

Depois de pensar e consolidar as mais diversas opiniões, posso opinar hoje com uma hipótese razoavelmente plausível e um tanto ou quanto coerente e afirmar que o feitiço virou-se contra o feiticeiro.

Vamos à minha versão. Nas priscas eras do aparecimento da Corrida de Aventura (89) algumas equipes devem ter sido pressionadas por mulheres, que praticavam as mesmas modalidades esportivas que os homens, a incluí-las nas competições. No início, creio eu, a possibilidade de fragorosas derrotas ocasionadas pela presença de "fracas" mulheres na equipe deve ter esgotado mentalmente muitos capitães de equipe na hora da escolha dos componentes. Como um dos objetivos declarados da corrida de aventura é a administração do estresse causado pelo excesso de esforço físico e pela falta de horas de sono, alguém mais visionário percebeu que estava ali a chave para levar ao caos as equipes menos estruturadas psicologicamente. E, neste momento, foi introduzida a obrigatoriedade da presença feminina em todas as equipes. Afinal, machismos retrógrados à parte, temos que reconhecer que há uma sensibilidade diferente entre homens e mulheres ao observar e analisar um problema. E esta característica, intrínseca à natureza humana, pode gerar grandes soluções ou imensos problemas dependendo de como é gerenciada.

Você agora me perguntará onde entra o feitiço virando-se contra o feiticeiro, que eu mencionei acima? Pois bem, com o passar de algum tempo as mulheres competidoras adquiriram a autoconfiança que faltava para dominarem a situação e começarem a dar as cartas neste jogo. O que tem-se visto nas competições ocorridas no Brasil e no exterior é um domínio quase que total das mulheres durante situações-limite de extremo estresse. Eu, pessoalmente, presenciei isto durante a Expedição Mata Atlântica 99 e a Litoral 2000 na condição de equipe organizadora. Na EMA 99 a maioria da equipes, após o famoso erro de orientação entre o PC3 e PC4, chegou no PC9 com um atraso em relação à equipe da Nova Zelândia de mais de 24 horas. E o que se via por todos os lados eram mulheres tentando colocar ordem nas equipes, administrando o estresse masculino. Sem falar da resistência física que elas demonstraram após dias e noites de extremo esforço.

Recentemente passou uma nova dúvida pela minha cabeça: será que daqui a algum tempo os homens terão que brigar para conseguir uma vaga nas equipes femininas?...

Em tempo:

Fiquem de olho na Renata Anchieta, membro feminino da minha equipe (Wöllner Outdoor) na disputa da III Expedição Mata Atlântica. Creio que ela dará o que falar.


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