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publicado em 20/03/01 na minha coluna no site de aventuras 360 Graus
Pela segunda vez me sinto em desvantagem em relação aos meus vizinhos colunistas aqui no 360 Graus. Devido à data de publicação desta coluna, fui o último dos moicanos, em novembro último, a comentar sobre a Adventure Fair. Agora sinto-me novamente nesta situação ao querer falar sobre uma mulher, após as extensas homenagens e reconhecimentos ao "sexo frágil" motivados pelo Dia Internacional da Mulher. Porém, como esta segunda lanterna ainda não me abalou o suficiente, continuo com o meu já planejado antigo propósito de falar sobre Robyn Benincasa.
Nos meios da corrida de aventura todos os olhos normalmente voltam-se para a famosa Catty Sassin, uma nutricionista que gostava de jogar volley com os amigos nos fins-de-semana, que se viu, alguns anos atrás, graças aos intrincados métodos usados volta e meia pelo destino, fazendo parte de uma equipe com o propósito de competir no Eco-Challenge. Para alguém que não possuía experiência outdoor, ela comportou-se como uma veterana em sofrimentos e privações, espantando os membros da equipe (todos homens) e a imprensa em geral. A partir daí, sua carreira no esporte tomou um rumo ascendente, passando a colecionar títulos nas grandes corridas de aventura internacionais, além de tornar-se uma referência: "ela alimenta-se da dor!", dizem seus companheiros e adversários.
Correndo por fora está a também americana, Robyn Benincasa. No início da década de 90 ela treinava triathlon e resolveu competir no IronMan do Hawaí e do Canadá. Nas cinco competições que participou ela completou todas entre os primeiros lugares na sua categoria de idade. Em 1996 decidiu treinar judô. Dois anos depois ganhou o campeonato americano em sua categoria de peso. Em 1999 ficou com vontade de correr as 50 Milhas e os 100 Kilômetros de Catalina Island. Completou ambas, tirando o terceiro lugar feminino na segunda. E ela faz questão de afirmar que seu biótipo não é de corredora...
Paralelo a isto tudo, ela tomou conhecimento das corridas de aventura lendo sobre o Raid Galouses e seus desafios em florestas, desertos e glaciares. O extremo controle físico e psicológico exigido nestas competições atraiu-a imediatamente. Segundo ela, atividades do tipo "o último homem a resistir" são o que sempre procurou. Afinal, uma vez ela completou um IronMan com 40 graus de febre!
Depois de ter destacado-se em algumas importantes corridas de aventura, ela passou a fazer parte da equipe Salomon/Eco-Internet, junto das duas lendas vivas do esporte: Irishman Robert Nagle e Kiwis John Howard. E esta mudança foi responsável pela decisão definitiva de colocar as corridas de aventura como prioridade máxima em sua vida. Seu nome havia sido indicado para o time de judô americano que disputaria as Olimpíadas em Sydney, mas ela declinou o convite pois isto atrapalharia seu ritmo de treinamento para as corridas de aventura.
Diferente de Catty Sassin, os companheiros de Robyn creditam seu sucesso ao alto astral que sempre a acompanha, não se deixando abater por acontecimentos ruins durante uma prova. E isto pode ser aprendido com ela em seu mais novo projeto, uma escola de corrida de aventura, a Colorado Adventure Training, em parceria com seu companheiro de equipe Aussie Adamson. Para quem quer progredir no esporte, este pode ser o caminho.
Boa sorte!