Falta um mês
para o Ecomotion/Pro: saiba como as equipes estão
treinando (Segunda-Feira, 9
de Outubro, 06h11) |
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por Thiago Padovanni, da redação Webventure
Falta um
um mês para o Ecomotion/Pro, a maior corrida de aventura do Brasil,
e atletas, técnicos e equipes de apoio estão suando a camisa para se
prepararem, seja na parte logística ou física. “Não é simplesmente
saber e conhecer a técnica de nadar com uma mochila nas costas ou a
técnica de caminhar no mato - porque caminhar se começa a treinar
com um ano. Pedalar também, tem aquela história de que nunca mais
esquece. Então não é simplesmente conhecer a atividade, mas estar
com um preparo físico e psicológico para agüentar esse desafio”,
afirma Carlos Sposito, preparador físico e especialista em
fisiologia do exercício.
A preparação das equipes é intensiva
para manter o ritmo que a prova exigirá. “Deixamos os trechos mais
longos: terá pedal de 100 quilômetros, trekking de 70 e canoagem de
160. A prova está bem mais expedicionária. Quem não se planejar vai
ter dificuldades de superação, principalmente na parte física. É uma
prova de resistência, não de explosão”, adianta Said Aiach Neto,
organizador da prova.
O mais importante para as equipes é
treinar sob supervisão de especialistas. O treinamento bem feito
garantirá bons resultados na prova. “A primeira preocupação é o
atleta não querer recuperar os treinos que ele acha que deve fazer”,
afirma o treinador da 4any1, Aulus Selmer.
“Na cidade, tem o
dia-a-dia das atividades, então não dá para ir remar todo o dia, ou
pedalar todo dia. Precisa de alguns truques para pegar o
condicionamento e deixar o fim de semana para fazer as atividades
mais complicadas”, explica Sposito. "Em uma academia, por exemplo, é
possível simular diversas modalidades que os atletas terão pela
frente, como a bike, canoagem e escalada."
Cuidados com a
saúde - Além dos treinamentos físicos, os atletas devem se
preocupar com a alimentação e hidratação, além de saber ministrar a
questão do sono e cansaço físico. “Eles irão comer fora de casa, em
um ambiente outdoor. A alimentação é fundamental, tanto para a
preservação do corpo do atleta como para a otimização da
performance”, afirma o doutor Clemar Corrêa, chefe da equipe médica
do Ecomotion.
A nutricionista Juliana Latanza, recomenda que,
durante a prova, os atletas se alimentem com frutas secas, pães,
bolacha salgada, banana, barra de cereais e bebidas isotônicas.
“Esses alimentos são de fácil digestão pelo organismo”, afirma a
nutricionista.
Acompanhe neste especial, dicas de
especialistas das mais diversas áreas para realizar uma prova
segura. Alimentação Segundo a organização da prova, os atletas terão
pouco contato com as equipes de apoio. As modalidades serão muito
longas e os competidores devem carregar consigo todo o suprimento
necessário. O planejamento da equipe tem de ser bem feito para não
faltar alimentos e nem carregar comida e bebida demais.
A
nutricionista Juliana Latanza, explica que “para provas com duração
de um ou mais dias, além do carboidrato, outros macronutrientes são
importantes, como as proteínas e as gorduras, já que o nosso
organismo necessita de todas elas em quantidades equilibradas para
manter o desempenho.”
Os carboidratos são a principal fonte
de energia durante o exercício. “Se houver a falta de carboidratos
no organismo, o corpo irá se dispor das proteínas para suprir essa
deficiência. Porém, umas vez que são utilizadas as proteínas para a
obtenção de energia, ocorrerá sérios danos ao funcionamento do
organismo e às células, pois não existem reservas de proteínas em
nosso organismo”, explica a nutricionista.
Cuidados
começam antes - Antes da prova, os atletas devem consumir pães,
arroz, macarrão, cereais (carboidratos complexos) e também frutas,
doces, açúcar e mel (carboidratos simples). “Até uma hora antes das
provas, deve-se evitar qualquer tipo de carboidrato para que não
haja tonturas devido ao pico glicêmico, náuseas e azia, atrapalhando
assim a performance do atleta”, afirma Juliana. Alimentos com
fibras, cafeína, leite e iogurtes devem ser evitados, já que a
digestão desse tipo de alimento é lenta.
“Outro cuidado é com
a hidratação. E, principalmente, se hidratar com líquidos de boa
qualidade”, afirma o Doutor Clemar Corrêa, chefe da equipe médica. A
nutricionista recomenda a ingestão de bebidas esportivas e
isotônicas para evitar desidratação e hipertermia (elevação da
temperatura corporal) e também repor quantidades de sais
minerais.
Se consumirem água encontrada na natureza, o doutor
Clemar alerta para a qualidade dessa água: “vai ser uma água de
cachoeira, de bica, da própria natureza e, às vezes, essa água é
inadequada. Então eles têm que levar preparados químicos, que se
encontram à disposição [em estabelecimentos próprios], para tornar
essa água mais potável. Usa-se geralmente o
Hidrosteryl.”
Aulus Selmmer recomenda “estar muito atento ao
fator de temperatura ambiente e umidade. A estratégia muda,
principalmente na questão da hidratação. O principal problema de uma
corrida de aventura é que as pessoas não se hidratam da forma
correta. Ai as conseqüências são sérias. Hidratação é fundamental, e
respeitar os seus limites. Não ter vergonha de ‘não está dando para
ir, vamos diminuir o ritmo’.” Cuidados antes da prova “Do ponto de
vista médico, o essencial para o atleta de corrida de aventura é uma
avaliação médica prévia. Fazer um exame físico, clínico. Dependendo
do que o médico constata, ele pede outros exames, principalmente um
eletrocardiograma ou teste glicêmico”, afirma o doutor Clemar
Corrêa, chefe da equipe médica do Ecomotion.
Infelizmente,
não é mais raridade atletas que, durante uma atividade física,
sofram uma parada cardíaca. A atividade física não imuniza o atleta
do risco de morte. “No mundo todo, estudos têm mostrado que existe
uma população de atletas profissionais que tem doenças cardíacas
silenciosas. Durante uma atividade física extrema, eles podem
desencadear essa propensão”, afirma o doutor.
Um outro fator
muitas vezes esquecido pelos atletas é se precaver com vacinas. “Tem
duas vacinas que são importantes para os atletas de corrida de
aventura e que vão participar do Ecomotion: tétano e hepatite A”. O
doutor explica que os atletas estarão em uma região inóspita e
passarão por locais com água suja, o que propicia a transmissão de
patologias.
Lesões - Qualquer lesão deve ser
encaminhada à equipe médica. “A equipe médica deve avaliar
tecnicamente qual a real gravidade. Atletas machucados insistem em
ficar machucados e isso piora a lesão”, afirma o médico
chefe.
Cuidados com os extremos de temperatura também são
essenciais. “Terá muitos lugares frios e úmidos, então eles devem se
agasalhar adequadamente para não ter o risco de ter hipotermia. E se
estiver muito calor em alguns trechos, procurar se molhar. Entrar
num rio, resfriar o corpo, para não ter o risco de hipetermia, ou
insolação grave”, completa Clemar. Treinamento não se repõe A
proximidade do Ecomotion pode gerar ansiedade exagerada nos atletas,
o que pode acabar em treinamento descontrolado, intensivo e que não
gera resultados. “O atleta acha que precisa treinar mais e acaba
cometendo um erro. A três semanas antes da prova é preciso começar a
descansar, diminuir a porcentagem e cortar bastante os treinos. A
maioria das pessoas não faz isso”, afirma o treinador Aulus
Selmmer.
Segundo ele, o atleta tem que chegar descansado no
dia da prova, pois o desgaste será muito grande: “eles ficam
treinando, treinando... chega o dia da prova e estão cansados”,
afirma. A maioria das equipes realiza treinos individuais durante a
semana e coletivos nos fins de semana. É o caso da Curtlo Lobo
Guará: “minha preparação e da equipe, está sendo baseada em treinos
seis vezes por semana, com média de duas horas por dia, durante a
semana, e treinos mais longos aos finais de semana", afirma a atleta
Gabriela Carvalho.
"Nos fins de semana, tentamos juntar a
equipe para treinos de mountain bike em trilhas, mais longos e
técnicos e remo mais longo. Os treinos em conjunto com a equipe é
importante, para trabalharmos também o conjunto, o entrosamento,
trabalho em equipe”, comenta Gabriela.
Marcelo Magnanini, o
Macuco, da equipe SOS Mata Atlântica, usa uma estratégia mais amena
nos treinamentos. “Fazemos dois tipos de treino: um com a equipe a
cada 15 dias, aos fins de semana, um treino mais longo com
transições de duas modalidades. E fazemos o treino diário durante a
semana, mas cada um no seu horário”, explica.
Será o primeiro
Ecomotion da equipe, mas todos os integrantes já participaram de
edições passadas em outros times. “A expectativa sempre é grande. É
uma prova de caráter expedicionário. Todo mundo já fez provas
longas, não é de assustar. É mais um friozinho da barriga que tem no
começo de cada prova”, completa Macuco. A equipe vai para o Rio com
José Roberto Pupo, o Zé Pupo (navegador), Marcio Franco, Macuco e
Cintya Gonçalves.
Fator psicológico x fator físico -
Não basta ter o corpo preparado, com todas as modalidades bem
treinadas. A união da equipe, o nível de estresse e o psicológico de
cada atleta são fatores determinantes para o bom resultado de uma
equipe.
“A partir do terceiro dia, o psicológico acaba por
prevalecer sobre o fator físico. Quem tem um psicológico muito mais
trabalhado tem condições de superar as dificuldades e os problemas.
Aí o fator físico não tem mais como contar pois todos estão
cansados”, afirma Aulus. Frederico Gall, da equipe Oskalunga,
geralmente treina com outros atletas, e afirma: “a sinergia
necessária acontece na hora certa.” A Oskalunga irá com dois
navegadores, Guilherme Pahl e o francê Franck Salgues. Completam a
equipe Frederico Gall e Barbara Bomfim.
Exercícios dirigidos - O
preparador físico e especialista em fisiologia do exercício, Carlos
Sposito, explica que os atletas devem realizar dois tipos de
treinamentos: um específico para as modalidades (como remo, bike,
corrida) e outro na preparação física, com um condicionamento
adequado para agüentar vários dias de competição.
“Tem que
usar a ciência, a fisiologia do exercício por trás disso. Uma
corrida dá um condicionamento físico e cardiopulmonar para todas as
atividades aeróbicas. Então se você corre, você vai ter um
condicionamento cardiopulmonar que te dá condições de fazer o
trekking, de fazer a parte de montanhismo, de subida, de pedal, de
remo, de canoa.”
O organizador Said Aiach Neto afirma que
essa edição do Ecomotion será mais desgastante. “Quando se tem muita
alteração no uso dos grupos musculares é possível ter uma
reabilitação rápida. Quanto mais mudança de modalidade, mais fácil
fica de se recuperar. Já uma prova com distâncias longas, de
endurance, como será o Ecomotion 2006, quem não entrar em um ritmo
sustentável vai ter problemas com dores, ácido lático e estresse
muscular em geral”, explica.
A musculação também é
importantíssima para o atleta, pois dá resistência e força, mas tem
que ser feita na medida certa. "Tem que treinar força de
resistência, com muita repetição e pouca carga. Isso pode assustar
um pouco as pessoas, mas tem que fazer uma série de 100 repetições.
O corredor de aventura tem que estar leve, forte mas não pesado. Ter
resistência, para agüentar fazer a repetição centenas de vezes,
milhares de vezes, durante a atividade", comenta
Sposito.
Para ele, o ideal é realizar treinamentos dirigidos
para as atividades. "Eles vão remar durante 10 horas, tem que fazer
exercícios funcionais, musculação funcional. Adaptar o exercício da
musculação - não uma posição tola, que vai hipertrofiar o braço -
mas uma posição que simule aquela que vai encontrar no remo, por
exemplo”, diz.
Academia não é suficiente - O
preparador físico afirma que não basta o atleta fazer treinos em uma
academia e achar que está bem preparado para uma competição desse
nível. “Não dá para imaginar que você vai treinar só em uma esteira
e vai ter equilíbrio para enfrentar uma trilha no meio da mata. Em
uma esteira, você não vai, é o chão que vem. É só dar pulinho e o
chão andou.”
Sposito comenta que a melhor maneira de se ter
um condicionamento físico adequado é treinar as próprias
modalidades. "É o que se chama especificidade. É preciso ser bem
específico. Não adianta treinar levantando um peso muito pesado, que
dá uma força absurda para levantar um carro. Isso não serve para
nada em uma corrida de aventura”, conclui. Sono “Sono não é uma
poupança.” É que afirma o treinador Aulus Semmer. “Não adianta uma
semana antes dormir às 8h da noite e acordar às 9h da manhã achando
que está se preparando para a prova. Tem que tentar dormir normal e
não inventar história de ficar dormindo o dia todo”,
completa.
Todos querem chegar na frente e uma boa estratégia
de sono pode fazer a diferença para toda a equipe. A SOS Mata
Atlântica, que vai para a prova com dois navegadores, não fará sono
profundo, apenas cochilos. “Vamos tentar administrar, tentando
revezar, parando o mínimo para os quatro dormirem. Sempre tentaremos
revezar. Numa canoagem longa, o da frente dorme, o de trás vai
remando devagar. Mas sempre tentando não parar. Se for para diminuir
o ritmo para um dormir, melhor. Tentar não parar os quatro para
dormir”, afirma Macuco.
Aulus diz que as equipe devem estar
bem planejadas nessa questão. Cada pessoa tem um padrão de sono. Os
especialistas do sono recomendam dormir de 20 a 30 minutos do dia,
mas no primeiro dia de prova ninguém quer saber de dormir. Todo
mundo quer seguir bastante até cansar, isso eu acho errado.
Principalmente para as equipes que estão começando. Tem que dormir,
não tem como”, comenta.
Sono não volta - “É impossível
treinar o sono; ficar acordado a noite inteira é pior. A gente não
consegue repor sono. Há três anos temos o acompanhamento do
Instituto do Sono e eles ajudandam agente a fazer nossa estratégia
de sono. Nossa estratégia é dormir em ciclos de 20 minutos e dormir
quando a equipe está sentindo o baque, que está caindo o ritmo da
equipe para o corpo se recuperar um pouco”, afirma Eleonora Audrá, a
Nora, navegadora da equipe Atenah.
O doutor Clemar Corrêa,
chefe da equipe médica, afirma que “mesmo as equipes de ponta do
mundo não ficam vários dias sem dormir. Já se sabe que não é o
adequado, tanto para logística, a performance, quanto para a
preservação da saúde. Precisa-se fazer um controle do sono. Não
podem se privar do sono”, fala o médico. Força feminina Do quarto
lugar no ano passado para um novo desafio este ano: a equipe Atenah
competirá no Ecomotion com uma formação totalmente feminina. Cris
Carvalho, Fernanda Maciel (ex-Oskalunga), Silvia Shubi e a
navegadora Eleonora Audrá (Nora) encaram o desafio treinando muito
para completar a prova entre as cinco primeiras. “O mais importante
é conseguir administrar a equipe, que eu acho que não teremos muita
dificuldade, pois a gente se conhece bastante, já fez muitas provas
juntas, treinamos bastante. Além de tudo somos grandes amigas”,
afirma Nora.
Treinando seis dias por semana, a equipe
contempla todas as modalidades que irão enfrentar na prova. “A Cris
prepara uma planilha mensal (para a equipe). Treinamos basicamente
duas modalidades por dia, tendo alguns dias em que focamos mais a
qualidade: intensidade e ritmo”, explica a atleta.
As
segundas-feiras, elas treinam tiro de corrida e canoa havaiana. Na
terça, bike na estrada, musculação, natação ou escalada. Na quarta,
corrida mais longa e tiro no remo. Na quinta, mountain bike (subida
e descida) e musculação/escalada. Na sexta, tiro de corrida. E, no
sábado, um treino mais longo com transição. “O domingo é day off”,
brinca Nora.
“O principal de tudo é fazer uma prova se
divertindo, claro que tem a competição, mas a gente ama correr.
Enquanto estamos correndo, estamos felizes e assim sempre sai algo
bem feito”, completa a atleta.
Sono - Para ela, o mais
complicado é lidar com o sono. "Com sono, não dá para se concentrar,
navegar fica mais difícil”, explica Nora. Para superar o sono, a
equipe Atenah conta com o apoio do Instituto do Sono (SP), que
auxilia na estratégia que a equipe deve seguir.
Segundo ela,
a equipe vai tentar dormir em ciclos de 10 minutos. Tempos mais
longos só quando a equipe não estiver mais agüentando e o ritmo
cair. “A nossa estratégia é tentar dormir duas horas por dia, mas às
vezes isso não é possível, dependendo do ritmo da prova. A equipe
deve ter a sensibilidade de perceber a hora adequada de parar ou
não”, revela.
Outra questão que preocupa a equipe é a falta
de patrocínio. Até agora, elas não conseguiram fechar nenhum
contrato. Apesar de ter algumas propostas e reuniões marcadas, ainda
não há nada de concreto. “Se a gente não fechar patrocínio acho que
a gente vai começar a vender rifa. Vamos de qualquer jeito (risos).
O Ecomotion é a prova mais importante para a Atenah. Vamos dar o
sangue e tentar até o último minuto”, afirma. Treinamento no
exterior Diversas equipes estrangeiras são esperadas para a
competição, como a Paradofobia, que tem o brasileiro Edilson
Cremonese, o Tico, como capitão. “Ir ao Ecomotion sempre foi uma
vontade desde que comecei a correr. Esse ano sentimos que a equipe
está melhor preparada para competir e não só participar, então
colocamos essa prova como prioridade no calendário. Sem contar que o
Ecomotion está no calendário das principais equipes do mundo”,
afirma Tico, que é fisioterapeuta e mora há quatro anos nos Estados
Unidos.
Contando com o apoio da Puma, a equipe vem para o
Brasil com Tico, Rafael Melges (Rafa), Manuela Vilaseca (Manu) - da
equipe Oskarica - e Luther Papenfus, americano, amigo de Tico,
convidado para prova. Todos eles irão estrear no Ecomotion. Apenas o
Rafael participou, mas não correndo, e sim como apoio.
Apesar
da base da equipe ser no Brasil, Tico e Luther moram e treinam nos
Estados Unidos, participando de diversas corridas de aventura no
país. “As provas de aventuras por aqui são, em geral, mais longas do
que no Brasil e um pouco mais técnicas, o que força o atleta a ter
um conhecimento maior de técnicas verticais e navegação. Sem contar
que, quem quiser, tem de duas a três provas por fim de semana ao
redor do país. Faço bastante provas por aqui mas me dedico a provas
longas. Então as provas de 12 a 24 horas entram no meu calendário de
treino e não de provas”, afirma.
Treinamento - Apesar
de morarem perto, cada um treina individualmente. “Meu treinamento
costuma ser em torno de duas a três horas por dia, o que não
considero muito puxado. Mas nos fins de semana fazemos treinamento
mais específicos para corridas de longa distância, que são seções de
seis a oito horas”, comenta Tico.
“Moro a 15 quilômetros do
mar e isso me ajuda muito com a modalidade na canoagem. Remo em
torno de 80 quilômetros por mês na região de Key West. Não acho que
o clima será dificuldade para equipe, pois estamos acostumados e o
clima da Flórida é bem parecido com o do Rio”, afirma. Além da
Paradofobia, estão confirmadas a atual campeã Buff, o Team Finland,
segundo colocado no ARWC e a neozelandesa Go Lite entre outras
estrangeiras.
Dicas de especialistas Said Aiach Neto,
organizador do Ecomotion: "Nos anos passados os apoios estiveram
muito presentes na competição. Em 2006 isso vai ser diferente. As
pernas das modalidades terão uma distância bem maior. Isso significa
que as equipes irão ver os apoios muito pouco. Outra característica
é que terão algumas modalidades com áreas de transição sem
apoio.”
Aulus Selmmer, treinador: “Ter a divisão de
tarefas muito bem determinada e todos respeitarem essa divisão que
foi feita. Ter um apoio muito bem entrosado. Carregar o necessário,
não levar mochilas pesadas demais. Por ser em equipe, todos devem
respeitar os limites de cada um, sempre ver as deficiências de cada
integrante na modalidade que está correndo naquele momento e
respeitar o mais fraco naquela modalidade. Para não acabar
prejudicado a prova toda. Porque se a pessoa é mais fraca na bike, e
ela fizer um esforço absurdo para acompanhar o mais forte, a equipe
dança. Quem determina o ritmo deveria ser o mais fraco naquela
modalidade.”
Carlos Sposito, preparador físico e
especialista em fisiologia do exercício: “Não dá para imaginar
que você vai treinar só em uma esteira e vai ter equilíbrio para
enfrentar uma trilha no meio da mata. Em uma esteira, você não vai,
é o chão que vem. Você dá um pulinho e o chão andou. Tem que treinar
muita repetição e pouca carga. Não tem nada melhor para treinar
uma corrida do que correr.”
Clemar Corrêa, médico chefe
do Ecomotion: “Do ponto de vista médico, e que é essencial para o
atleta de corrida de aventura, é uma avaliação médica prévia. Fazer
um exame físico, clínico. Dependendo do que o médico constata, ele
pede outros exames, principalmente um eletrocardiograma ou teste
glicêmico.”
Eleonora Audrá, Equipe Atenah: “Não se
pode treinar o sono. Temos que pensar na melhor estratégia para cada
prova”
Juliana Latanza, nutricionista: “O ideal é
evitar consumir água pura, pois isso fará com que o atleta tenha
necessidade de urinar. Assim, para que isso seja reduzido,
aconselha-se uma combinação de água, glicose e eletrólitos, isso
fará com que os rins não necessitem excretar água.” |
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