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REPORTAGENS
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Carlos Sposito: o
homem do deserto por Luciana
de Oliveira 15/10/99 - 18h05
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 Na subida: mudança grande de
altitude Foto: Arquivo pessoal
 Na ponte de Kaibab Foto:
Arquivo pessoal
 Na ponte, ainda em trecho na
horizontal Foto: Arquivo pessoal
 Paisagem foi consolo no
fim Foto: Arquivo pessoal
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 | "Para piorar o fator
psicológico a Cathy levou um altímetro. A cada 100 metros que
vencíamos verticalmente ela comemorava, sem olhar o outro lado da
moeda: ainda faltavam muitos outros 100 a vencer.
Sposito
descobriu que o fim da trilha não significava o fim da tortura.
"Quando estávamos a menos de 700m verticais da chegada (o que
significavam vários quilômetros a correr!), a trilha deu uma guinada
para baixo e não parou mais de descer. Cada metro descido era
chorado mais do que quando foi subido. Quando já não entendia mais
porque descíamos tanto, chegou a explicação. O ponto final de nossa
travessia não era na face que estávamos subindo, mas na face
oposta.
O aventureiro tenta explicar o engano: "a trilha
havia subido a primeira face apenas para contorná-la, descê-la em
seguida e pegar uma ponte suspensa no nada que leva à outra face.
Agora sim, deveríamos subir tudo novamente. Tem que haver muita
força psicológica para aturar!
Depois deste contratempo a
subida realmente parecia uma subida. Nada mais de descidas e nem de
horizontais para descanso. A inclinação aumentou muito e isto
acentuou bastante a sensação de peso da mochila (lembra das
componentes X e Y das aulas de física?).
Começo ou
fim?
Finalmente, quando parecia que só terminaríamos a
trilha no céu, ouvimos as abençoadas vozes de Odette e Scott, nossa
equipe de apoio. 'Chegamos, eles estão nos esperando no final da
trilha...' Doce ilusão. Eles começaram a descer a trilha para nos
encontrar quando acharam que já era tempo de se preocuparem. A
agradável sensação de terminar este pesado desafio foi adiada por
mais 45 intermináveis minutos, quando finalmente chegamos ao topo da
trilha North Kaibab.
O cronômetro marcava 9h52 e o
freqüencímetro cardíaco indicava um gasto de 6.800 kcalorias.
Estávamos a 2.515m de altitude e havíamos atravessado 33,6 km de
trilhas. Agora era descansar de mais esta e pensar na idéia que
Cathy e eu tivemos para uma aventura no Alasca..."
Emendando
corridas exóticas como quem planeja viagens de fim de semana,
Sposito vai colecionando façanhas. Enquanto planeja a próxima, vai
trabalha de fiscal na Expedição Mata Atlântica, corrida de aventura
que reúne cinco modalidades esportivas. Se não tiver pernas,
acompanhe-o no site www.sposito.com.br
» Introdução » Primeiros
passos no Saara » Cada
vez mais forte » Um
dia no Grand Canyon » Trilha do inferno ao
céu
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