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REPORTAGENS
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Carlos Sposito: o
homem do deserto por Luciana
de Oliveira 15/10/99 - 18h05
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 Começando a Trilha
Kaibab Foto: Arquivo pessoal
 Caminho cercado de
abismos Foto: Arquivo pessoal
 Cathy tenta enquadrar Sposito
durante a travessia Foto: Arquivo pessoal
 Pausa para
reabastecer Foto: Arquivo pessoal
 Flagra na bela paisagem do
cânion Foto: Arquivo pessoal
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 | "A idéia de ser o
primeiro brasileiro a cruzar o Grand Canyon correndo surgiu durante
uma conversa com a ultramaratonista americana Cathy Tibbetts, em
fins de julho deste ano. Participante da Marathon des Sables no
deserto do Sahara, também possuía no currículo participações na
Maratona do Everest e na ultramaratona do Vale da Morte, além de
adventure races como The Beast of the East.
Eu tinha menos de
dois meses para me preparar para mais esta. Caras feias à parte,
começamos o treinamento em busca do tempo perdido... Depois de 48
horas totalmente gastas entre aeroportos, vôos e estradas, cheguei
quarta-feira passada (6/10) em Grand Canyon Village, base de onde
partiria para a travessia, com o apoio da Wöllner Outdoor e da
Hi-Tec."
Sposito passou dois dias conhecendo o local. "A
visão do canyon é aterradora para qualquer visitante, imagine para
quem pretende cruzá-lo correndo", descreve. Como no Saara, a
diferença de temperatura era gritante no Grand Canyon. Durante o
dia, beirava os 14 graus, caindo para 4 graus à noite, período
escolhido pelo aventureiro para começar o treinamento in loco
e se acostumar à altitude.
Driblando mulas
O
início da travessia aconteceu às 8h do sábado (9/10) em South Rim, a
uma altitude de 2.212m. "A trilha Kaibab é bem demarcada, pois além
de ser usada por caminhantes, existe um trânsito considerável de
mulas que transportam os mais preguiçosos (além de fazer salvamentos
de caminhantes não preparados).
A descida foi muito
agradável, pois a inclinação da trilha não chegava a comprometer
demasiadamente o joelho. O fim da descida, após 10,1km e cerca de
2h15, ocorreu no encontro do rio Colorado, a 731m de altitude. Neste
ponto havíamos variado 1.481m verticalmente. Após cruzarmos a
ponte Kaibab, corremos cerca de 2km quase horizontalmente até
começar uma tenebrosa e inesquecível subida de 21,5km, com uma
variação de altitude de 1.784m.
A altitude só começou a fazer
efeito em torno de 4.000m. "Correr nesta altitude nem de longe
lembrava uma caminhada. A necessidade de oxigênio fez-se presente
não na forma de falta de ar, mas no cansaço e dores na musculatura
impulsora da perna. Durante algum tempo foi possível conviver com
isto. Porém, quando já havia vencido um bom pedaço, os trechos de
corrida passaram a ser intercalados com caminhadas e os pontos de
parada para descanso ficaram menos distantes."
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passos no Saara » Cada
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