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REPORTAGENS

Carlos Sposito: o homem do deserto
por Luciana de Oliveira 15/10/99 - 18h05


Dunas foram desafio no quarto dia
Foto: Arquivo pessoal


Descanso merecido no acampamento
Foto: Arquivo pessoal


Caminhar é melhor opção
Foto: Arquivo pessoal


Brasileiro era um dos 580 competidores
Foto: Arquivo pessoal


Acampamento: calmaria entre etapas
Foto: Arquivo pessoal


Na chegada, gritos de "Ronaldo, Ronaldo!"
Foto: Arquivo pessoal


Sposito comemora chegada com criador da prova, Patrick Bauer
Foto: Arquivo pessoal

Quarto estágio (7 e 8/4/99)
distância: 74km
tempo de caminhada: 15h20min32


Sposito ensaia uma aula sobre como lidar com as moscas no deserto. "De manhã, após um gostoso arroz com frango, engoli uma desesperada mosca que foi mais rápida que eu. Espantá-las é uma das mais inócuas atitudes que você pode tomar no Saara. E isto se aprende em poucos dias. Deixar de afugentá-las de suas pernas e braços leva em média quatro dias. Para dar desprezo às que pousam em seu rosto bastam seis dias. Eu não cheguei à fase dos olhos. Creio que em uma corrida mais longa...."

Tudo pronto para o estágio de dois dias. "Caso eu corresse e caminhasse a intervalos previamente planejados, eu completaria o percurso entre 13 e 16 horas e ainda estaria bastante sacrificado para o estágio seguinte de 42 quilômetros. Se eu apenas caminhasse em um ritmo bastante puxado, de 7 km/h, durante todo o percurso, levaria praticamente o mesmo tempo e chegaria mais inteiro. Optei pela segunda possibilidade."

Chega a noite. "No Posto de Controle 4, aos 44 km, ganhamos um bastão luminoso que deveria ser colocado atrás da mochila para permitir que os competidores que viessem atrás seguissem os da frente. Por volta de 19h30 a escuridão já obrigava o uso da lanterna de cabeça. Minutos antes eu já estava, pela primeira vez, sozinho. Onde a vista alcançava, à frente e atrás, eu não enxergava vivalma.

Algum tempo depois cheguei ao Posto 5, no km 52, aos pés das dunas do Erg Znaigui. Segui em direção a um marco no alto da primeira duna, que possuía um bastão luminoso igual ao que levávamos. Do alto desta duna, com muito esforço, vi um bastão luminoso parado ao longe. É claro que era o próximo marco. Fui em sua direção. Uma duna depois fui interceptado por uma japonesa e um americano que diziam estarmos na direção errada. Apontei-lhes o bastão luminoso e segui em diante. Conformados mas não convencidos, eles me seguiram.

Minutos depois encontramos mais um grupo com a mesma impressão dos dois. Quando apontei para o marco, vi dois bastões luminosos. Enquanto discutíamos, algo curioso aconteceu. O marco saiu andando junto com os outros dois competidores. Será que o marco, na verdade, era um Marco?

Este lapso custou-nos quase uma hora a mais no tempo total, havíamos desviado 180 graus. Menos pior que um grande nadador italiano que ficou perdido nas dunas por sete horas, até o amanhecer."

Quinto estágio (9/4/99)
distância 42km
tempo: 6h25min03


"Acordei com muita disposição para correr. Lembrei-me então do que um veterano havia me dito antes do primeiro estágio: 'a cada dia você se sentirá mais forte'. Eu me sentia muito forte. Eu jamais olharia com esta naturalidade que agora eu via alguém correr 42 km logo após ter caminhado 74.

"O quinto estágio se iniciava aos pés do Erg Chebbi, as dunas mais altas de toda a região. Elas atingem facilmente os 30m e estão em uma interminável seqüência de 14 km que nem veículos 4x4 têm possibilidade de cruzar. Durante exatamente 2h52, eu subi cada duna tendo certeza que seria a última. Isto aconteceu dezenas de vezes. Por um erro de cálculo, minha água acabou pelo menos três quilômetros antes das dunas terminarem. Não desejo esta experiência para quase ninguém...

No fim das dunas, diferentemente de muitos competidores, eu comecei a correr e só parei após atravessar a linha de chegada, sem caminhar um só metro em todos os 28 km que se seguiram após as cruéis dunas."

Sexto estágio (10/4/99)
tempo: 59min37


O último dia da maratona começou com festa. "De manhã todos dançavam e tiravam fotos dos grupos que se formaram. O acampamento era uma alegria total, diferentemente dos outros dias, quando a tensão e a dor
reinavam. Após o tiro de largada, corremos na mesma direção das luzes que vimos na noite anterior indicando a proximidade da cidade.

Após alguns quilômetros de terra batida, cruzamos um rio por cima de algumas pedras e chegamos à periferia da cidade. Daí até a praça principal, local da chegada, cada vez havia mais gente. Empolgado pelos aplausos e gritos dos erfouldenses, abri a bandeira brasileira que levava. A partir deste momento, não parei mais de ouvir gritos de 'Brasil! Brasil!', acompanhados de 'Ronaldo! Ronaldo!'.

Cruzei a linha já com saudades de todo este sofrimento e prazer que senti nestes dias. Meu tempo acumulado foi de 38h21min13 s, que me colocou em 338º lugar entre 580 competidores do mundo inteiro."

Continua... »
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» Cada vez mais forte
» Um dia no Grand Canyon
» Trilha do inferno ao céu


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