'Homem do deserto' vai
encarar o Grand Canyon correndo por Luciana de
Oliveira 21/09/99 - 14h17
Enquanto muitos corredores preferem o glamour das provas
em Nova York ou Tóquio, este brasileiro só corre em lugares
exóticos. Depois de enfrentar 250km de uma maratona pelo Saara,
Carlos Sposito, de 41 anos, se prepara para cruzar o Grand Canyon
correndo. "Nunca tinha planejado isso, mas serei o primeiro
brasileiro a tentar", avisa. Sposito pretende realizar a aventura em
um único dia, 9 de outubro. Antes da partida, o 'homem do deserto'
revela segredos à Webventure.
Webventure
- Você chegou do Saara, onde correu a Maratona de Sables, e já
vai para o Grand Canyon. Por que a paixão por lugares
exóticos?
Carlos Sposito - O que eu gosto é de
viajar e conhecer lugares diferentes. Quanto ao deserto, nem é o
desafio de correr num lugar árido, gosto da solidão e da monotonia.
Na verdade, não planejava ir ao Grand Canyon. Foi conversando com a
americana Cathy Tibetts, ultramaratonista, que surgiu a idéia.
Verifiquei e constatei que seria o primeiro brasileiro a
tentar.
Webventure - Quais são as dificuldades
desta vez?
Sposito - Ao contrário da Sables, em que
corremos 250km, a distância não é problema no Canyon. Devemos
percorrer uns 42 km, no máximo, partindo do sul até o norte. Por
isso, os maiores obstáculos deverão ser altitude e temperatura.
Vamos sair de 2.300m, com frio, para descer até 700m, junto ao rio
Colorado, onde faz calor. Depois subiremos até 2.700m e
enfrentaremos o frio outra vez.
Webventure - Quanto
tempo deve ser gasto para a travessia?
Sposito - É
difícil calcular. Só sei que vamos fazer em um dia. Não sei como meu
corpo vai reagir porque, apesar de eu estar acostumado a corridas do
tipo, nunca fiz uma prova em grande altitude. E tem outro agravante:
eu e a Cathy teremos de carregar 9 litros de água nas costas, mais
algumas barras energéticas, numa mochila projetada pelo nosso
apoiador, a Wöllner Outdoor, para corridas. Também levaremos um
filtro especial para o caso de termos que beber água encontrada pelo
caminho.
"Não sou
maratonista, sou aventureiro (...) Quero conhecer todos os desertos
do mundo"
Webventure - Como está sendo a
preparação?
Sposito - Como trabalho (ele é analista de
sistemas), só tenho tempo treinar em altitude nos fins de semana.
Tenho ido a Nova Friburgo e ao Itatiaia. Nos outros dias eu corro
pela Lagoa, ao redor do Maracanã, aqui no
Rio.
Webventure - Você é bem diferente dos demais
corredores, que preferem a Maratona de Nova York...
Sposito
- Eu nem sou um maratonista. Eu corro para estar bem preparado
para todas as atividades que gosto. Também escalo em rocha,
mergulho... E tem que ter perna pra isso. Acho que me definiria como
um aventureiro, sem querer ser presunçoso. Só que eu não sou muito
de fazer planos a longo prazo. De repente, tenho um tempo e vou para
lugares como o Atacama, as chapadas e a Maratona des Sables, que eu
participei pela primeira vez neste ano. Vou voltar em 2.000
acompanhado de outro brasileiro, o Alexandre Freitas, organizador da
Expedição Mata Atlântica.
Webventure - Existe uma
aventura dos sonhos para você? Sposito - Eu gostaria de
conhecer todos os desertos do mundo. Ainda faltam muitos...
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