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Uma volta ao mundo em silêncio


Por Carlos Sposito | 14/08/2001 - Atualizada às 19:16

Em sua estréia no Webventure, Carlos Sposito comenta a expedição Asas do Vento e como contribuiu com esta empreitada.


Quando, em meados do ano passado, após voltarem do Encontro Mundial dos Pilotos que Já Deram a Volta ao Mundo em um Avião Leve (ou um título completamente diferente mas com o mesmo significado), os brasileiros Margi e Gérard Moss confidenciaram-me, em um delicioso jantar em sua residência, que ninguém ainda havia dado uma volta ao mundo em um motoplanador, conforme uma pesquisa “em off” que ambos realizaram entre seus pares no referido megaevento. E lá mesmo, em Oshkosh, os dois começaram a idealizar esta inédita aventura.

Para quem não sabe, um motoplanador é a união vantajosa do planador com o avião. Para levantar vôo, ele não necessita da ajuda de um avião que o reboque, pois tem um motor que lhe dá completa autonomia. E não precisa de motor, planando totalmente em silêncio, afinal sua concepção primordial é ser um planador. E o mais interessante é que o primeiro motoplanador a tentar esta aventura, o Ximango, é brasileiro, construído no Rio Grande do Sul.

O fato que me deixou radiante com o projeto Asas do Vento foi que a equipe, composta por Gérard, Margi, Marcelo Ramos e Ana Abreu, conseguiu associar aventura e pioneirismo com meio ambiente e tecnologia.

Uma causa nobre - Como se não bastasse percorrer mais de 50.000 quilômetros encolhido em uma pequena cabine (tão pequena que, desta vez, Margi não pode ir com Gérard), somando o peso de cada pedaço de papel temendo ultrapassar a drástica limitação de carga, Gérard ainda está prestando um serviço único à melhora da qualidade de vida do planeta.

Transportando aparelhos sensores especiais, Gérard faz um levantamento em nível global das características atuais da camada de ozônio à baixa altitude, transmitindo os dados para laboratórios da Universidade Estadual Paulista e da Universidade de Cambridge. Além disto, um outro estudo também está sendo feito com a coleta de POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) e dioxinas, em filtros que são substituídos diariamente por Gérard e enviados para a Universidade de Lancaster.

Eu estive envolvido com este projeto ao ficar responsável pela preparação física de Gérard, trabalhando em conjunto com a nutricionista Christiane Rodrigues. E, tenho que reconhecer, ele é extremamente dedicado a tudo que faz. Algumas vezes ele corria entre uma reunião em São Paulo e outra no Rio Grande do Sul, entre uma viagem à Rússia e uma palestra na National Geographic Society. E isto tudo com poucas horas de sono, apesar da minha reprovação.

Carlos Sposito


Colunista do Webventure, preparador físico e atleta de aventuras e desafios, treina atletas e iniciantes sedentários no Brasil inteiro, por meio de planilhas personalizadas enviadas via e-mail. Foi o primeiro brasileiro a correr a pé a Marathon des Sables no Deserto do Sahara, a cruzar correndo o Grand Canyon, a correr no Deserto de Mojave, a dar a volta a pé correndo “non stop” na Ilha Grande e dar a volta a pé correndo “non stop” na Floresta da Tijuca. Veja mais em www.sposito.com.br

Especialista em Fisiologia do Exercício pela UGF/RJ, Sposito foi obrigado a dar um tempo nos desafios por culpa do mestrado em Engenharia Biomédica que está cursando na COPPE/UFRJ.

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